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ARAGUAIA - José Geraldo Martinez
Corre caudaloso o Araguaia
serpenteando em seu jeito ...
Num rubro céu morrendo ,
avermelhando seu leito !
Leva as notas chorosas
de um violão tão aflito ...
Despertam as araras gritantes
que somem no manso infinito.
Logo chega a noite ... vou sentindo o queixume
da lua que vem banhar-se no Araguaia em negrume !
Amplidão do céu ...
Boiada ruminando .
De casa , só meu chapéu por companheiro ...
Meu violão chorando
como chora o Araguaia
e o sereno no capim !
Boiadeiro também chora...
Ribeirinho de mim !
Sou um Araguaia sem peixes,
um violão em desafino ...
A boiada para o abatedouro.
Sou menino
que chora a saudade da mãe , do pai , dos irmãos .
Saudade deste dia que passará ...
Boiadeiro não chora , deixa prá lá !
A tristeza só ensaia ...
Basta amanhecer o dia , chama a boiada no berrante ...
Levanta a poeira da estrada
e volta vida errante ...
Por mim , quem chora, sem fim, é o Araguaia corrente !
Boiadeiro só ensaia e segura a fama
de não chorar e ser valente !
Sorte que não fala o Araguaia nesta hora!
Só chora ...só chora ...
Boiadeiro a tristeza ensaia ,
não chora !
Sorte que não fala a viola ...
Só chora , só chora!
Boiadeiro segura a fama ... |
Amor de verão no Araguaia (Prosa verídica)
- Vanderli Medeiros
Era uma tarde de
verão. O sol a pino, corpos dourados pelo sol do Araguaia.
Ela ao cair da tarde ela tomava
rumo de casa, ele chegava em seu Chevete 79 com amigos de farra.
Olhares se cruzaram, ele disse:
- Que avião!
Ela olhou quem falava, era ele, ela
o reconheceu. Um dia ele deu carona a ela quando saia do colégio.
Não havia esquecido aquele olhar,
correspondeu e cumprimentou-o com a cabeça.
Ele ficou estático, sem acreditar
que ela o cumprimentara e ainda balbuciou aos amigos:
- Ela me cuprimentou!O avião olhou
para mim.Que olhos Jesus!Que óleos! ( dessa fala nasceu uma poesia)
Ela sorriu pela forma dele falar
sobre ela pensando que falava baixo e só os amigos o ouviam.
E foi-se com as amigas.
Dias depois, houve um telefonema
cheio de segredos e misterios, dela para ele:
- Quero encontrar contigo e
conversar.
Ele quis saber quem era. Ela disse:
- venha e saberá quem sou.
Ele foi. Ambos na maior
expectativa, coração aos saltos.
Quando ele para o carro ela vai ao
seu encontro com as mãos geladas.
Quando ele a vê nem acredita.
- Você! É bom demais para ser
verdade....
E vão para um barzinho, conversam,
se conhecem, trocam o primeiro beijo...Quando percebem, já estão dividindo tudo, a cama,
as escovas, a vida, os sonhos...
Desse encantamento nasce os
rebentos...
A felicidade parecia não ter
fim...
Porém, um dia , o céu perdeu a
cor. Ele chega alcoolizado, maltratando sua flor.
Triste pela perda desse sonho a
flor definha, chora, perde a cor.
Tenta ainda protestar:
- Cadê meu grande amor?!
E de seu ato de protesto recebe
golpe certeiro. Ele, chafurdado no teor etílico, perdeu o controle e a flor despetalou.
Em pedaços, viu seus sonhos aos
cacos no chão.
A fúria e o desencanto enlamearam
o que seria um grande amor. Afogados foram, não pelas águas do Araguaia, mas pelo vício
maldito que destroi lares, sonhos e amores...
E assim, acabou-se a história
desse grande amor de verão que nasceu as margem do Araguaia em 1988....
Emendar os cacos ou tudo novo?! - Vanderli Medeiros
Do amor que um
dia nasceu às margens do Araguaia restou apenas muita mágoa, rancor e desilusão.
O amor obsessivo e louco que esse
candango tinha pela ribeirinha o fez agir como louco; e em um acesso de fúria, por já
crer que ela não o amava mais, fez ele arquitetar um plano diabólico. E na sua demência
de um amor cego e louco deturpado pelo álcool levou-o a tentar destruir a flor que um dia
colherá em plena primavera.
Fez de tudo para tirar-lhe todas as
chances de sobrevivência longe dele e assim humilhada, vencida e cansada pedisse arrego e
a seus braços voltasse.
Essa flor ribeirinha quase sucumbiu
à dor. Se o pegasse na cama com outra não teria doido tanto como a traição de tê-la
tentado destruir arrancando-lhe aquilo que mais amava, suas florzinhas.
Definhou, chorou, gritou,
chorou...chorou...chorou...Um dia lenvantou-se e pediu ao mundo socorro, e com o coração
gotejando em chagas vivas retomou sua vida. As pedras pontiagudas que ele jogou em seu
caminho as ignoraram, e confiando naquele que tudo vê, armou-se de força e fé e lutou,
chorou, fraquejou, chorou, mas nunca desistiu.
Um dia a ribeirinha senti que irá
sucumbir à dor e a solidão, entra em depressão, nem os versos não a preenchem mais. A
saudade, a dor, e as lembranças, machucavam cada vez mais... Roga aos céus a ajude ou
morrerá de dor.
Como resposta Deus envia alguém
que a trata com o amor que precisava, seu coração renova-se, começa a ver o dia mais
belo e o sol a sorrir-lhe.
Está assim renovando-se e pensa
que agora esquecerá tanta dor.
De repente... Há um novo chamado
do passado.
Ele faz chegar até ela a notícia
que ainda a ama e só espera que ela dê um passo ao seu encontro. Muda o proceder, antes
vingativo e feroz, agora manso, vai aproximando-se, mostrando o lado manso e doce que a
reteve por 14 anos cativa ao seu lado.
O mundo dela balança.
- Não, nunca perdoará tamanha
traição, dor e humilhação. Esse tipo de amor/posse não quer mais. Será oh! Deus que
não merece amor melhor?! Por quê o passado teima em voltar a ser presente?!
Recusa-se a aceitar que o
passado/presente volte...
E chorando aos céus roga ajuda
para esquecer e recomeçar. Não quer mais o velho texto nem a velha história, mesmo que
lhe chegue reciclada. Quer tudo novo. Um Dom Quixote que a salve desse gigante disfarçado
em moinho, não de vento, de tempestade... Feroz e destruidora...
Quer começar do zero, nada do
velho, nem as dores, nem lembranças, nem esperanças.
Chega. oh! Deus chega!
Roga em prantos esse ribeirinha que
quer uma vida nova. Recomeçar do zero sua nova história, recomeçar a crer em fantasias,
em utopias, em versos de amor.... Crer que ainda é possível ser feliz, apesar dos
pesares!
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