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Campo Grande - Carlos Leite
Ribeiro/Maria Nascimento Janete Maria da Silveira
Aos dois anos eu mudei da cidade onde nasci num estado grandão, conhecido por Mato Grosso
e, com meus pais, morei em outros lugares. Nas férias, sempre íamos matar as saudades de
nossa querida Campo Grande, que no dia 11 de outubro de 1.977 tornou-se a capital do
estado de Mato Grosso do Sul. E foi assim que eu passei a ser "da capital".
Comemorei o meu 51o aniversário
(outubro de 2.000) em Campo Grande, conhecida como "Cidade Morena" e em cujas
ruas nunca deparei com onças... Na ocasião ganhei uma publicação de apresentação
primorosa chamada "CAMPO GRANDE 100 ANOS" comemorativa da emancipação
política do município, cujo centenário ocorrera em 26 de agosto. Hoje, para este
trabalho que me foi oportunizado pelo "CÁ ESTAMOS NÓS", uso a publicação
acima mencionada como fonte de pesquisa, juntamente com minhas lembranças e perguntas a
moradores do lugar.
Campo Grande não tem rios: tem
córregos sendo que o mais conhecido é o Córrego Prosa, que até hoje serpenteia pela
cidade a descoberto, embelezando-a. Campo Grande não tem serra: a região é plana. Campo
Grande não tem praia: o estado de Mato Grosso do Sul não é banhado pelo mar.
A rua Mato Grosso divide com a
Avenida Afonso Pena o status de rua mais importante da cidade.
Campo Grande é titular de um clima
quente privilegiado, abrandado por uma brisa refrescante, favorecendo os programas ao ar
livre. Visitar o Parque das Nações Indígenas é um bom programa, mas pode-se transitar
um pouco mais pela Av. Afonso Pena e conhecer o Parque dos Poderes, onde amplas
construções de arquitetura moderna que abrigam órgãos públicos, circundam uma grande
reserva de mata nativa.
Mas imperdível mesmo é visitar a
"Feirona" à noite ou de madrugada, onde se podem comprar inúmeros produtos
(inclusive hortifrutigranjeiros...) ou simplesmente sentar-se a uma das mesas nas barracas
onde se servem pratos típicos locais combinados com pratos orientais.
Basta olhar a cidade para observar
que o lugar é um grande campo e talvez seja esta a origem do nome... ou talvez seja a
grande variedade de raças, cores e credos que ali instalaram-se, instalam-se e
instalar-se-ão confortavelmente...
O Arraial de Santo Antônio de
Campo Grande foi fundado por um mineiro, que procurava onde se instalar com uma comitiva
pequena e chegou, num começo de noite, à confluência dos córregos Prosa e Segredo, um
lugar de horizontes amplos. Ficou por ali e depois voltou a Minas Gerais. Em seguida
retornou trazendo consigo umas sessenta pessoas em carros-de-bois. O homem chamado José
Antonio Pereira havia encontrado o que procurava: um lugar aprazível, para o qual pudesse
trazer mulheres e crianças. E, de quebra, ele entrou pra História.
O lugarejo, nascido de um
acampamento, então pertencente ao município de Nioaque, passou a ser conhecido como
Distrito de Campo Grande. Uma década mais tarde o Distrito transformou-se em município
(26 de agosto de 1.899), cuja sede era a Vila de Campo Grande. Passados uns vinte anos, o
município, então pertencente ao antigo estado de Mato Grosso, teve sua sede elevada a
cidade.
Em 11 de outubro de 1.977 surgiu o
novo estado de Mato Grosso do Sul, desmembrado do grande estado de Mato Grosso. A capital
do novo estado é Campo Grande.
O fundador de Campo Grande, José
Antônio Pereira, nasceu em Barbacena MG, em 1.825, e morreu em Campo Grande
MT, em 1.900. Campo Grande reverencia sua memória através do "Museu da
Cidade", também conhecido como museu José Antônio.
O primeiro prefeito de Campo Grande
MS foi Marcelo Miranda Soares.
Em Campo Grande se come muito bem
em casa ou em restaurantes: as carnes são boas e fartas, portanto é muito comum o
churrasco, acompanhado de mandioca cozida.
Comumente se comem, também, peixes
de água doce. Tudo isto é regado a cerveja bem gelada e "rebatido" com
tereré, que é uma variação do chimarrão. No "tirajejum" e na
"merenda", serve-se chipa, uma espécie de pãozinho de queijo e, como
sobremesa, entre os doces caseiros (compotas de frutas da região, doce de leite...) em
profusão, que nos restaurantes de luxo são acondicionados em compoteiras de cristal,
sempre surge, como opção, a igualmente tradicional Sopa Paraguaya que é, na verdade,
pudim.
Entre as dezenas de restaurantes,
pode-se escolher entre os conhecidos self-service (como o "Sabor em Quilo"), ou
aqueles onde se pedem comidas típicas locais (como o "Boi de Ouro") ou de
outros lugares (como o "Fogão de Minas" e a "Cantina Romana"). Dos
quase 80 hotéis, pensões e residenciais que abrigam turistas ou executivos, é possível
olhar a cidade do alto (como do "Exceler Plaza Hotel" ou do "Jandaia
Hotel") ou estar em contato com a natureza (como no "Hotel do Lago" ou no
"Novotel")
À noite, para quem não quiser um
ambiente tão informal quanto a "Feirona" pode-se dançar na "Boite
Tango" ou simplesmente conversar no "Café Mostarda".
Peças teatrais e outros eventos
culturais podem ser vistos nos vários espaços culturais da cidade, como por exemplo
"Palácio Popular da Cultura", "Teatro Glauce Rocha", "Teatro do
Sesc", "Teatro Aracy Balabanian"...
Sou associada à
"Associação de Escritores Novos de MS" que, através do seu jornal mensal, me
permite estar sempre atualizada. No jornal informativo da ANEMS são publicados trabalhos
de principiantes como eu e de renomados escritores nacionais, como os pertencentes à
Academia Sul- Matogrossense de letras (Reginaldo Araújo e Raquel Naveira, por exemplo).
O artesanato local é rico e pode
ser encontrado em vários lugares, mas é costume dos turistas visitar a "Casa do
Artesão" (localizada no centro da cidade, onde se pode "encher os olhos"
com peças entalhadas em madeira, ou modeladas em cerâmica, ou tecidas manualmente ...
Muita gente chega aos bancos
universitários da Universidade Federal ou das universidades particulares, como a
"Católica Dom Bosco". Para chegar até lá há boas escolas municipais,
estaduais, e particulares, garantindo a atividade de cerca de 2.300 professores e 70 mil
estudantes.
O principal estádio de futebol da
cidade é o Morenão, com capacidade para 40.000 torcedores.
Para quem gosta de praticar
esportes tão-somente para exercitar-se, existem logradouros públicos (como a
"Praça de Esportes Belmar Fidalgo"). É possível ainda associar-se a um clube
(como o "Clube Nipo-Brasileiro"... "Rádio Club"... há vários...),
ou simplesmente caminhar no Horto Florestal. Assistir a qualquer evento esportivo? Existem
ginásios de esporte, como por exemplo o do Colégio Dom Bosco.
A cidade de Campo Grande conta com
grandes indústrias ligadas ao ramo frigorífico e à agricultura. Mas seu parque
industrial é formado, também, de pequenas indústrias voltadas para a alimentação,
construção civil e indústria extrativa em geral. E há, ainda, quem afirme que a grande
vocação da indústria local seria o fabrico de artigos de couro beneficiado, graças à
grande abundância de matéria prima.
No centro de Campo Grande, as
atividades comerciais concentram-se na Rua 14 de julho e adjacências, mas as lojas estão
espalhadas, também, pelos bairros e pelas amplas vias de acesso destes ao centro. Numa
cidade que sempre teve sua economia baseada no comércio, a inauguração do primeiro
Shopping Center causou grande alegria e orgulho aos seus moradores e, no alto da Av.
Afonso Pena, está o bonito e moderno "Shopping Campo Grande", com suas
suntuosas lojas, cinemas, lanchonetes... Proliferam por Campo Grande, lojas de material de
construção... E grandes supermercados...E lojas de conveniência... Convivendo
pacificamente com o "bolicho" da esquina.
Apoiando o comércio e a indústria
temos as grandes instituições financeiras (como o "Banco Itaú" e "Banco
do Brasil") e ainda instituições de apoio e formação das atividades humanas, em
departamentos regionais (como "Senac" Serviço Nacional do Comércio,
"Sesc" Serviço Social do Comércio, "Sebrae" Serviço de Apoio
à pequena Empresa, "Sesi"- Serviço Social da Indústria, por exemplo).
A população em geral, conta
com servicos: de água e esgoto, sendo que a Rede de Água estende-se por cerca de 3.000
km., com cerca de 163.000 ligações (92% da população) e a Rede de Esgoto estende-se
por cerca de 400 Km. e com cerca de 22.600 ligações (25% da população); de
telecomunicação...; de energia elétrica...
Campo Grande tem justo orgulho do
gasoduto Bolívia-Brasil, ainda em construção, que permitirá a opção da utilização
de gás natural, minimizando o custo ecológico.
Pode-se chegar a Campo Grande ou
sair de lá através do terminal rodoviário local, que oferece um modesto conforto, para
as centenas de usuários diários. Pode-se, ainda, optar pelo Aeroporto Internacional
Antônio João, que conta com 1.080 metros quadrados de área destinada a passageiros,
acompanhantes e visitantes, mais 2.600 X 45 metros de pista principal (mais 1.500 m. x
23m. de pista auxiliar) e mais 30.111 metros quadrados de pátio, oportunizando o
estacionamento concomitante de 40 aeronaves pequenas e oito boeings. Em frente ao
aeroporto está o Monumento ao Pantanal, composto por três Tuiuius gigantes, indicando
que Campo Grande, geograficamente, é a última parada antes de se chegar ao Pantanal Sul.
Os trens da antiga ferrovia
que serve a cidade já transportaram pessoas e hoje só transportam produtos, num leva e
traz constante.
Na área da saúde, Campo Grande
conta com um atendimento privilegiado, sendo referência nacional para o tratamento de
doenças tropicais, através do Hospital Universitário.
Os maiores centros de atendimento
popular são a Santa Casa, o Hospital Universitário e o Hospital Regional.
Cabe mencionar, também, o Proncor,
a Maternidade e a Clínica Campo Grande.
Entre os planos particulares de
saúde, destaca-se o da Unimed, cujo complexo administrativo veio contribuir com a riqueza
arquitetônica da cidade.
Segurança? Existe...
(Janete Maria da Silveira
Curitiba Brasil)
janice@netpar.com.br
Trabalho de parceria de Carlos
Leite Ribeiro e Maria Nascimento Santos Carvalho |