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A LENDA DO MATE - MISSÕES - (Colab. Sarita Barros)

In MITOS E LENDAS DO RIO GRANDE DO SUL – Antônio Augusto Fagundes

          No tempo dos Tapes, uma tribo de fala guarani era chefiada por um cacique de larga fama, sábio, prudente e bravo. Não tinha filho que pudesse um dia chefiar a tribo, apenas uma filha, Caá-Yari, belíssima, por sinal que. Ao envelhecer esse cacique, o mando da tribo passou para o guerreiro mais forte e destemido, justamente aquele qual Caá-Yari estava apaixonada em segredo. Era costume na tribo que as mulheres jovens acompanhassem os guerreiros em suas excursões de caça, pesca ou a guerra e o novo Chefe convidou Caá-Yari para ir com ele, assim que assumiu o comando. Ela, porém, disse não, pensando no pai que devia cuidar para que nada lhe faltasse. O velho cacique sentiu a tristeza da filha muito amada. então pediu a Tupã um amigo que lhe fizesse companhia horas de solidão e em sonhos a divindade índia que lhe ntou uma árvore muito verde e lustrosa, ensinando ao guerreiro a cortar o porongo, a trançar a bomba de taquara (tacuapi) e a secar e a torrar e a esmigalhar as folhas da erveira, preparando assim uma bebida deliciosa, o caá-y, o mate o chimarrão.
          E assim Caá-Yari pode acompanhar o seu amado e o velho cacique ganhou um companheiro para as horas de solidão E quando Caá-Yari morreu, ela foi transformada em protetora da erva-mate, deusa índia dos ervais gaúchos, cujo amor dá ventura e cuja vingança é terrível, como padroeira ervateiros.


A LENDA DO CAVALO MARINHO - Missões - (Colab. Sarita Barros)

In ANTOLOGIA FESTILENDA, resumo da lenda contada por
João Antônio Carvalho da Silva

          Lá para as bandas do Alegrete, na Estância da Lagoa Funda, de tempos em tempos, durante a lua cheia, aparecia um misterioso e belo cavalo negro que, após retouçar entre a manada, ao ser perseguido, desaparecia nas profundas águas de uma lagoa existente nos fundos da Estância. Conforme a lenda, tal lagoa ligava-se ao Mar por baixo do chão!...
          Suas águas, permanentemente límpidas, eram como um grande espelho de cristal, encrustado no verde tapete das verdejantes campinas, suas margens emolduradas por exuberante vegetação. Era dessas águas misteriosas que, durante a lua cheia, surgia o lendário cavalo negro que, até então, ninguém conseguira colocar-lhe a mão. O estancieiro dono daquelas terras por duas vezes mandou seus homens encontrarem o fundo da lagoa. Uma vez emendaram dois laços. Logo de saída já não deu mais pé....
          Lá para as bandas de São Miguel, ora lá para a Banda Oriental andava um ginete, o melhor de quem já se tivera notícias. O estancieiro destacara, por diversas vezes, o melhor de seus vaqueanos, na tentativa de encontrar o tal ginete. Em vão! Era conhecido por uns como João Campeiro, pois vivia sempre pelas estâncias, não tinha morada fixa. Ele mesmo se denominava Ginete. Por essas voltas do Destino esse domador foi procurar trabalho nessa tal estância. O fazendeiro convidou- o para almoçar e fez-lhe a seguinte proposta: se conseguires apanhar o tal cavalo e torná-lo de montaria, terás a mão de minha única filha, em casamento...
          A seguir, apareceu a filha que lhe estendeu a mão. Ali estava, a sua frente, a paga... o prêmio, a sua recompensa, caso capturasse e tornasse de montaria o Cavalo Marinho. Aquele homem rude acostumado aos laçaços da vida, que não perdera, até então, nenhum entrevero fosse do jeito que fosse ficou pasmo diante de tanta beleza.
          Naquele almoço, o estancieiro só falara nas fracassadas tentativas de capturar o cavalo marinho e como deveria proceder para pegá-lo. O Ginete muito teria também para contar de suas façanhas, mas preferia só ouvir. Agora tinha um objetivo, talvez o único de sua vida: capturar o Cavalo Marinho.
          Após aquele almoço, onde ficara para sempre gravado em sua mente aqueles doces momentos, um só era seu desejo: a chegada da lua cheia!
          Ela veio... com ela mil e uma satisfações até à máxima frustração terminada em tragédia, tanto para nosso herói como para a donzela. Ainda hoje, naqueles velhos pagos, nas noites de lua cheia, do alto de uma coxilha, se avista um ginete cavalgando belíssimo cavalo negro sobre as águas da lagoa, desaparecendo misteriosamente quando alguém se aproxima.