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Pacotí, Terra de Paz - José Edísio de
Sousa
Cada um tem muito orgulho de sua terra natal. Não existe outra igual pois Deus não criou
outra melhor nem mais bonita. Assim tem sido e assim sempre será. Naturalmente, eu não
poderia pensar de maneira diferente, nem mesmo depois de ter, ainda menino, deixado meu
lindo Pacoti. Volto, agora, para matar a saudade que eu sentia do meu delicioso pedaço de
paraiso. Se querem saber porque voltei, a resposta é muito simples. Voltei porque neste
mundo não encontrei terra melhor. E, minha gente, eu visitei muitas cidades que se diziam
importantes ou até as melhores do mundo. Mentira! Fui enganado.
Volto ao meu pequeno Pacoti quase
ignorado nos guias turísticos. Quero ver de perto as riquezas que deixei aquí. Vamos dar
nome aos bois. Em primeiro lugar, deixei a paz tão rica do meu Pacotí, a abençoada paz
que o mundo ancioso procura. Ela está bem viva na minha terra. Não vejo baterias
anti-aéreas apontado para nosso céu sempre azul. Não escuto a marcha de botas pesadas
de soldados violando a paz de ruas calmas. Não vejo fuzís e metralhadoras, muito menos
mísseis ou carros blindados. Tanques, só os de lavar roupa. Ninguem está cavando
trincheiras ou tocando tambores de guerra.
Não sinto poluição no ar puro
que respiro aquí. Não tenho que me esconder de bombas voadoras caídas de covardes
aviões invisíveis. Paz, maravilhosa e bendita paz, reina soberana aqui neste Pacoti sem
base aérea e sem quarteis de infantaria. Acho que Deus devia ter escolhido este lugar
para o jardim de Adão e Eva. Aquí o coração encontra verdadeira paz. Aquí estou para
sentir essa tranquilidade. Aquí quero fazer meu piquenique.
Voltei para viver de novo!
Enquanto lá fora os poderosos
fazem guerra contra os mais fracos e os mais ricos roubam dos mais pobres,, meu pequeno
Pacotí continua calmo, dormindo bem e acordando alegre. Cidades de nações ricas servem
de alvos para gente que se sente injustiçada, humilhada e maltratada. Aquí em Pacotí
não há terrreno onde o terror possa se criar. Ninguem nos inveja nem nos odeia.
Aquí, os pais se preocupam com o
futuro de seus filhos. Aquí, todos lutam para ganhar a vida. Aquí, gente nasce e morre
como em toda a parte, mas o importante aquí é trabalhar com paciência, com muita
coragem e com uma boa dose de esperança. E divertir-se com muita alegria.
Família aquí é mais do que uma
simples palavra. Família aquí é o centro da vida. Amizade aquí é palavra-chave para
abrir o segredo da vida. Família e amizade são as maiores riquezas do Pacotí. Família
e amizade são nossas torres gêmeas, torres que crescem dia a dia, torres que ninguem
pensar incendiar porque elas são indestrutíveis.
E assim, no seu passo lento, no seu
ambiente sem tambores e sem gritos de guerra, Pacotí segue em frente com um leve sorriso
e com muita esperança. A sua riqueza aquí não está no número de bombas atômicas no
arsenal pacotiense nem em quantos aviões de caça e bombardeio Pacoti pode enviar para
destruir seus vizinhos.
A riqueza de Pacotí está nessa
sua boa gente que aceita a vida como dádiva sagrada, gente que procura sempre construir
em vez de destruir. A riqueza de Pacotí está na serenidade da sua vida sem drogas e sem
crimes. O sangue de Pacotí corre nas suas veias, não no seu chão. Aqui em Pacotí reina
a paz, aqui o coração encontra aquela doce serenidade que o mundo lá fóra não conhece
nem sabe produzir.
O segredo do bem viver não está
em quantos inimigos Pacotí pode matar, mas em quantos amigos ele pode ganhar. Pensando
bem, uma das vantagens de ser como Pacotí, é que ninguem quer ser inimigo de uma pequena
cidade.
Bem-aventuradas as pequenas cidades
da nossa verde serra de Baturité. Delas será o reino da paz.
Pacotí é a pequena e preciosa
gema que os garimpeiros do turismo ainda não descobriram. Tenho orgulho da minha linda e
querida terra que ciumentamente quardou para mim essa sua paz, essa sua beleza sem par,
essa acariciante doçura de cidade sempre menina tal como eu a conheci na aurora da minha
vida.
Eu te adoro Pacotí. Estou aquí
para te pedir perdão por ter te deixado. Estou certo de que teu coração receberá de
volta o filho pródigo. Vem cá que eu quero te abraçar! Eu estava morrendo de saudade de
ti. Pacotí, eu quero viver outra vez.
José Edísio, do Sítio
Petrópolis, Município de Pacotí
ARQUIVO PARTICULAR
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá.
- Gonçalves Dias
A borboleta continuará a pairar
sobre o campo e as gotas de orvalho brilharão sobre a relva quando as pirâmides do Egito
estiverem destruidas e não mais existirem os arranha-céus de Nova York.- Kahlil Gibran .
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