A LENDA DO CAVERÁ - ROSÁRIO DO SUL -
(Colab. Sarita Barros)
In MITOS E LENDAS DO RIO GRANDE DO SUL
Antônio Augusto Fagundes
O
Caverá é uma região na fronteira-oeste do Rio Grande do Sul, ouriçada de cerros, que
se estende entre Rosário do Sul e o Alegrete. Na Revolução de 1923, entre os maragatos
(revolucionários) e os chimangos (legalistas) o Caverá foi o santuário do foi o
santuário do caudilho maragato Honório Lemes, justamente apelidado "O Leão do
Caverá".
Diz a lenda que a região, no
passado, era território de uma tribo de Minuanos, índios bravios dos campos, ao
contrário dos Tapes e Guaranis gente mais do mato. Entre esses Minuanos, destacava-se a
figura de Camaco, guerreiro forte e altivo, mas vivendo uma paixão não correspondida por
Poriaim, a princesinha da tribo, que só amava a própria beleza...
Os melhores frutos de suas
caçadas, os mais valiosos trofeus de seus combates, Camaco vinha depositar aos pés de
Ponaim, sem conseguir dela qualquer demonstração de amor.
Um dia, achando que lhe dava uma
tarefa impossível, Ponaim disse que só se casaria com Camaco se ele trouxesse a pele do
Cervo Berá para forrar o leito do casamento. O Cervo Berá era um bicho encantado, com o
pêlo brilhante daí o seu nome, O mato era dele: Caa-Berá, Caaverá, Caverá,
finalmente.
Então Camaco resolveu caçar o
cervo encantado. Montando o seu melhor cavalo, armado com vários pares de boleadeiras,
saiu a rastrear, dizendo que só voltaria depois de caçar e courear o Cervo Berá.
Depois de muitas luas, num fim de
tarde ele avistou a caça tão procurada na aba do cerro. O cervo estava parado, cabeça
erguida, desafiador, brilhando contra a luz do sol morrente. Sem medo, Camaco taloneou o
cavalo, desprendeu da cintura um par de boleadeiras e fez as pedras zunirem, arrodeando
por cima da cabeça. Então, no justo momento em que o Cervo Berá deu um salto pra a
frente quando o guerreiro atirou as Três Marias, houve um grande estouro no e uma
cerração muito forte tapou tudo. Durante três dias e três noites os outros índios
campearam Camaco e seu cavalo, mas só acharam uma grande caverna escavada na pedra dura
do cerro e por onde, quem sabe, Camaco e seu cavalo tinham entrado a galope atrás do
Cervo Berá para nunca mais voltar.