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A lenda dos Afuzilados - São
Gabriel - (Colab. Sarita Barros)
In MITOS E LENDAS DO RIO GRANDE DO SUL Antônio
Augusto Fagundes
Na histórica e
orgulhosa cidade de São Gabriel, junto aos muros do quartel do 60 Batalhão de Engenharia
de Combate, há uma capelinha, uma bonita ermida sempre enfeitada por ex-votos, placas,
velas, flores e ... dinheiro, muito dinheiro.
Diz a lenda que naquele mesmo lugar
foram fuzilados dois irmãos que serviam naquele quartel, na metade do Século XIX. Eles
teriam reclamado da comida do rancho e deu briga e o comandante, homem cruel, mandou
fuzilar os dois contra os muros do quartel.
Mais tarde, os próprios soldados e
até o povo civil começaram a fazer pedidos e promessas aos Irmãozinhos Afuzilados e a
pagar os atendimentos com velas e dinheiro, para que eles possam comprar comida... O local
é visitadíssimo e muitas vezes os ex-votos são retirados e o dinheiro recolhido e
entregue a instituições de caridade.
Os Irmãozinhos Afuzilados atendem
todo tipo de pedido, mas atendem com mais prazer e ligeireza aqueles que se referem a
questões militares: transferência, promoção, afastamento de um superior
"carrasco" etc... Afinal, eles também eram soldados e sofreram na carne esses
problemas, pagando mesmo com a própria vida.
A LENDA DO NEGRINHO DA SANGA FUNDA - SÃO
GABRIEL - (Colab. Sarita Barros)
In MITOS E LENDAS DO RIO GRANDE DO SUL Antônio
Augusto Fagundes
O menino negro
chamado Antão morava no interior de São Gabriel, há muitos anos atrás. Um dia, foi
comprar num bolicho na beira da estrada que vai de São Gabriel a Bagé um quilo de erva e
levava uma "pelega" de quinhentos mil réis, muito dinheiro na época para andar
em mão de criança.
O bolicheiro não tinha troco para
uma nota tão grande e como conhecia o pai do menino, fiou a erva, par cobrar mais tarde.
No bolicho, estava tomando canha um
gaúcho enorme, negro, com cara de poucos amigos. Quando o negrinho saiu, ele pouco depois
saiu também. O bolicheiro viu tudo e desconfiou que ele ia roubar o negrinho e foi atrás
dele mas ao chegar à Sanga Funda já encontrou o negrinho Antão degolado, e, claro, sem
o dinheiro. Revoltado o homem reuniu os vizinhos e foram todos à caça do matador.
Descoberto. este não quis se entregar e foi morto.
O povo então ergueu na Sanga Funda
uma ermida, uma capelinha para o Negrinho Antão e as pessoas começaram a fazer pedidos e
promessas ao menino, pedidos que ele sempre atende, até hoje e que o povo sempre paga com
orações, velas e flores. |