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SERTÃO NORDESTINO - Yara Nazaré
E vai passando na estrada
De terra pura e esturricada
Cheia de dureza e rachaduras
Onde outrora foi um rio
Que secou por falta de chuva.
É o sertão do brasileiro
Aquele que vive esquecido
E lá habita sem entender
Tantas fórmulas econômicas
Que de alento nada servem
A um povo que passa fome
E recebe do abastado
A esmola que vem em sacos
Para iludir seu estômago.
Se há ausência de chuvas
Fenece toda a vegetação
Água? Só do mandacarú
Sendo da sede, a salvação
E na panela? Nem o feijão.
A seca é impiedosa e dura
Mina as cacimbas e açudes.
Mas no meio da terra seca
Surge um "oásis" do verde
É a terra irrigada do senhor
Aquele que no bolso tem
O famoso e vil metal
Ele não vê tempo ruim
Sua terra é um manancial.
Fazem campanhas na TV
Os alimentos são doados
Poucos chegam ao seu destino
Pois caem no esquecimento
Nos silos armazenados.
Passa, passa a propaganda
Em beleza de amostragem
Meia dúzia de famílias
Mostram um sorriso sedento
E agradecem emocionados
Ao "Salvador da Pátria".
O benefício lhes é dado
Pelas cabeças coroadas.
E a piedade de alguns...
Estes de coração desejam
Sanar a exclusão social.
É chegada a hora do grito!
De fazer o nordestino feliz
Irriguem o sertão nordestino
Igual as terras do dito senhor
Com o rico lençol d'água
Que se encontra no subsolo
Das rochas sedimentares
Mesmo que o seu teor
Seja de salobra água.
O homem quer arar sua terra
E dela extrair seu sustento
Também precisa de escolas
Pra alimentar com o saber
A mente da sua prole.
E com o mesmo direito
Viver sadio e contente. |
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